FÓRUM RICOT 2014 – ÍNDICE E RESUMOS DOS CAPÍTULOS DO MANUAL

No decurso do Fórum RICOT 2014 será lançada um livro com a designação “Manual sobre Riscos Psicossociais no Trabalho“, integrando textos de todas/os as/os conferencistas. As/os participantes poderão adquirir o manual via inscrição ou no próprio dia do evento (preço diferenciado).

De seguida disponibiliza-se o índice do livro, bem como os resumos das comunicações / capítulos que o compõem:

CAPA

Índice

ÍNDICE

 

Nota Editorial 1
Parte I Riscos Psicossociais no Trabalho: Enquadramento Conceptual 4
Capítulo

1

Sociedade dos riscos emergentes

João Areosa e Hernâni Veloso Neto

5
Capítulo

2

Riscos psicossociais: conceptualização e dimensões analíticas

Hernâni Veloso Neto

24
Parte II Fatores Específicos de Riscos Psicossociais no Trabalho 48
Capítulo

3

Os efeitos do trabalho na saúde mental: uma análise a partir da psicodinâmica do trabalho

João Areosa

49
Capítulo

4

Precariedade e Alienação dos Licenciados no Trabalho Informatizado

Isabel Maria Bonito Roque

73
Capítulo

5

A importância da participação dos trabalhadores em segurança e saúde no trabalho

Paulo Marques Alves

91
Capítulo

6

Trabalho por turnos: contributos para a sua caracterização

Isabel Soares Silva e José Keating

113
Capítulo

7

A conciliação trabalho-família e os riscos psicossociais

Rosa Monteiro

131
Capítulo

8

Lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho (LMERT) no contexto dos riscos psicossociais

Paula Carneiro e Pedro Arezes

152
Capítulo

9

Burnout: da conceptualização à gestão em contexto laboral

Cristina Queirós, Sónia P. Gonçalvese António Marques

172
Capítulo

10

Stresse profissional: Conceptualizações, causas, consequências, e medida

Manuel Rafael e Rosária Lima

193
Capítulo

11

Bullying no local de trabalho: Avaliação e intervenção

Manuel Salvador Gomes de Araújo

213
Capítulo

12

Assédio sexual no trabalho: uma abordagem às relações sociais de género em contexto de trabalho

Cláudia Múrias, Maria José Magalhães, Tatiana Morais

239
Capítulo

13

Assédio moral no trabalho: uma realidade contemporânea

Ana Teresa Verdasca

258
Capítulo

14

Prevenção e a intervenção no consumo de substâncias psicoativas em meio laboral

Carlos Ramos Cleto e Mário Ferreira de Castro

283
Parte III Metodologias Agregadas de Avaliação de Riscos Psicossociais no Trabalho 293
Capítulo

15

Metodologias agregadas de avaliação de riscos psicossociais: o caso do FPSICO e do QARPIS

Hernâni Veloso Neto

294
Capítulo

16

Avaliação dos fatores psicossociais de risco: contributos do Inquérito INSAT

Carla Barros-Duarte e Liliana Cunha

333
Capítulo

17

Versão Portuguesa do Copenhagen Psychosocial Questionnaire – COPSOQ II

Carlos F. Silva, Pedro Bem-Haja, Vânia Amaral (et al.)

347
Capítulo

18

Avaliação de riscos psicossociais com o método SSARA

Hernâni Veloso Neto, Fábio Marques, Manuel Freitas e Georgina Cunha

370
Capítulo

19

Metodologia de avaliação de riscos psicossociais da Sociedade de Prevenção FREMAP

José María Luengo Montes

391

..

Capítulo 1 Sociedade dos riscos emergentes

João Areosa e Hernâni Veloso Neto

Os riscos podem ser considerados como omnipresentes. São “entidades” que sempre acompanharam e acompanharão a história da humanidade, pois estão relacionados com cenários hipotéticos futuros. Só podemos afirmar que existem riscos quando existem pelo menos dois resultados possíveis de vir a acontecer. Deste modo, os riscos estão, por definição, profundamente articulados com as incertezas.

Ao longo da história da humanidade alguns riscos foram aparecendo, outros desaparecendo, outros ainda reapareceram. Em alguns períodos podem também surgir riscos designados como “novos”; e isto acontece essencialmente por três motivos: 1) porque foram gerados nesse período; 2) porque só nesse momento ganhámos consciência da sua existência; 3) porque passaram a assumir uma maior importância social. Na contemporaneidade, estamos a experienciar essas três situações em simultâneo.

Neste trabalho, pretendemos debater a noção de sociedade de riscos (proposta por Ulrich Beck), a qual pretende expressar a existência de “novos” riscos que não conseguimos controlar. A referida sociedade de riscos significa que as certezas das sociedades industriais se tornaram obsoletas, pois as novas formas de riscos fizeram ruir as certezas que julgávamos existir no passado. Para compreender esta nova realidade iremos também utilizar a teoria da amplificação social dos riscos, dado que nem sempre os riscos mais perigosos revelam maior preocupação por parte do público. É no seio desta conjuntura que iremos introduzir a temática dos riscos emergentes, onde podemos incluir os riscos psicossociais.

 

Capítulo 2 Riscos psicossociais: conceptualização e dimensões analíticas

Hernâni Veloso Neto

Os riscos psicossociais têm ganho uma centralidade analítica e técnica bastante significativa nas últimas duas décadas. Em muito se fica a dever ao trabalho desenvolvido por instituições como a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho e a Fundação Europeia para a Melhoria das Condições de Vida e de Trabalho.

O “acumular de conhecimento científico não impediu a persistência dos riscos no trabalho nem os constrangimentos organizacionais dos mais diferentes tipos” (idem., pág. 46), pelo que a produção, disponibilização e utilização deste saber especializado devem continuar. Para isso, é necessário que não continuem a prevalecer no âmbito dos estudos académicos, devendo também fazer parte da prática profissional. É uma circunstância que implica que se sensibilize e formem as/os profissionais de segurança e saúde no trabalho para que os fatores psicossociais de risco passem a ser considerados como quaisquer outros fatores de risco e sejam passíveis de identificação, avaliação e integração no mapa geral de riscos dos contextos laborais em causa, bem como contemplados nas estratégias de prevenção e/ou correção dos problemas sinalizados. Este acumular de conhecimento tem a valia de despontar a necessidade de se precisar de formar mais e de se saber mais sobre a temática.

O texto foca a conceptualização do risco psicossocial no trabalho e o âmbito teórico-metodológico que lhe está subjacente. Procura-se analisar as conceptualizações existentes na literatura especializada, propor uma taxinomia de fatores de risco psicossocial e caracterizar a matriz conceptual e metodológica da avaliação e intervenção sobre riscos psicossociais no trabalho. Fecha-se o texto com algumas notas de síntese e de perspetiva sobre o caminho percorrido e a percorrer num futuro próximo.

 

Capítulo 3 Os efeitos do trabalho na saúde mental: uma análise a partir da psicodinâmica do trabalho

João Areosa

Os efeitos do trabalho sobre a saúde mental são ainda um campo relativamente pouco explorado, apesar que já existirem algumas décadas de investigação sobre esta temática. Na realidade, estamos ainda longe de conhecer o verdadeiro alcance e influência que o trabalho nos pode provocar, quer seja nos benefícios que oferece, quer seja nos aspetos prejudiciais que suscita, quer ainda, como um misto de ambas as situações. Talvez, na maioria das vezes, o trabalho implique isso mesmo: um misto entre aspetos positivos e negativos.

Obviamente que a saúde mental depende de múltiplos fatores, os quais podem ser variáveis de pessoa para pessoa. Por isso, uma determinada situação pode ser entendida ou sentida como negativa para determinados indivíduos e, pelo contrário, pode ser vista como positiva para outros. Naturalmente que isto acaba por complexificar bastante a forma como podemos interpretar aquilo que influi na saúde mental.

No presente trabalho será então debatida qual a influência que o trabalho exerce sobre a saúde mental, a partir da perspetiva da psicodinâmica do trabalho. Esta área de conhecimento surgiu à cerca de 20 anos atrás e teve como principal mentor Christophe Dejours. Apesar da discussão sobre a relação entre trabalho e saúde mental ser mais ampla (em termos de modelos e perspetivas) a psicodinâmica do trabalho acaba por incorporar diversos saberes de outras disciplinas científicas e isso permitiu-lhe desenvolver uma análise extraordinariamente pertinente sobre o seu objeto de estudo. É precisamente por isso que a utilizámos como referencial ao longo do texto.

Capítulo 4 Precariedade e Alienação dos Licenciados no Trabalho Informatizado

Isabel Maria Bonito Roque

Em finais do século XX, com o aumento da flexibilização dos mercados, verificou-se uma transferência de riscos e insegurança para os trabalhadores, transitando para uma situação de instabilidade e à perda da dignidade laboral. A existência de uma panóplia de formas contratuais implica transformações ao nível dos perfis socioprofissionais da mão-de obra, trajetórias, carreiras e projetos de vida. A procura pela sobrevivência por parte dos jovens licenciados e desempregados passa pela aceitação de ofertas de emprego pouco ou nada relacionadas com a sua área de formação, sendo as linhas de call centre as embaixatrizes do trabalho atípico, por vezes o único meio de integração laboral. Os call centres ilustram na perfeição a articulação entre as tecnologias do século XXI com as condições laborais do século XIX. No entanto, trata-se de locais onde o sofrimento no trabalho, a vulnerabilidade e a dignidade do trabalhador são colocados em causa. Como tal, pretende-se analisar o processo de alienação laboral, sofrimento e (des)construção da identidade profissional levado a cabo no trabalho informatizado. Os jovens adultos licenciados representam um novo tipo de pobreza licenciada, constituindo uma tipologia de “novos pobres”, apresentando um grau académico não reconhecido pelo mercado de trabalho ou pelas empresas. Tal, conduz a uma situação de frustração económica e psicológica, na qual estes trabalhadores licenciados encontram-se possibilitados de aplicar o seu conhecimento académico no seu trabalho diário, criando uma pobreza espiritual ou pobreza do self.

Capítulo 5 A importância da participação dos trabalhadores em segurança e saúde no trabalho

Paulo Marques Alves

A informação estatística disponível evidencia que a sinistralidade laboral continua a ter uma forte incidência em Portugal. Isto sucede apesar dos progressos alcançados nos últimos anos, principalmente no que concerne aos acidentes mortais, que vêm revelando uma tendência decrescente a despeito das flutuações verificadas e de os respetivos valores continuarem idênticos aos registados no início da década de 90. Esta situação convoca a necessidade do aprofundamento da atuação conjunta dos vários atores sociais do trabalho, implicando a indispensável participação dos trabalhadores, que está legalmente prevista desde 2003. Esta participação inscreve-se no que se designa por autorregulação Ela pode efetivar-se por duas vias. A primeira é a da negociação coletiva. Através dela é possível regular não só as condições de trabalho, como também a participação dos trabalhadores em SST nos locais de trabalho, a segunda via através da qual a autorregulação se efetiva. É sobre a relevância desta participação que este capítulo versa. Iniciamo-lo com uma descrição dos quadros reguladores vigentes nos planos internacional – com particular destaque para a Diretiva 89/391/EEC, que define a figura do representante dos trabalhadores neste domínio, a quem outorga direitos de informação, consulta e formação – e nacional, neste caso enfatizando o disposto no Código do Trabalho e na legislação específica aplicável quer ao setor privado quer ao público. Seguidamente, centrar-nos-emos na análise dos modos de participação dos trabalhadores em SST e no seu impacto. Concluiremos com um balanço sobre a realidade portuguesa.

Capítulo 6 Trabalho por turnos: contributos para a sua caracterização

Isabel Soares Silva e José Keating

O modo como o tempo de trabalho se encontra organizado constitui um elemento chave das condições de trabalho dado o seu papel estruturante, quer dentro quer fora do contexto laboral. Entre as diversas modalidades horárias existentes consta o horário de trabalho por turnos, o qual, genericamente, remete para a existência de equipas (ou, se quisermos, de turnos) de trabalho de modo a estender o período de laboração. Ainda que o horário de trabalho por turnos possa ter configurações muito distintas, este pode constituir um factor de risco para a saúde e bem-estar do/a trabalhador/a se envolve, de modo fixo ou rotativo, a realização de trabalho nocturno e/ou em períodos valorizados familiar e socialmente (ex., fins de semana).

O presente capítulo pretende contribuir para a caracterização deste modo de organização do tempo de trabalho. Especificamente, são apresentados dados relativamente aos principais efeitos para os/as trabalhadores/as submetidos/as a esta modalidade horária, as principais razões para a sua implementação por parte das organizações e dados sobre a sua prevalência considerando sectores de actividade e características das organizações. Em todos os casos anteriormente referidos são também apresentados dados resultantes da investigação com amostras portuguesas de trabalhadores/as por turnos procedentes especialmente do sector industrial. O capítulo termina com algumas reflexões sobre a saliência das práticas flexíveis na gestão do tempo de trabalho em geral e deste tipo de horário de trabalho em particular.

Capítulo 7 A conciliação trabalho-família e os riscos psicossociais

Rosa Monteiro

Este texto apresenta algumas das dimensões do estudo da conciliação trabalho-família, como determinante fundamental de riscos psicossociais. Ao nível do indivíduo, as dificuldades de conciliação, são fonte de stresse mental e físico, com consequências negativas sobre a saúde, perturbações no desempenho dos papéis, ansiedade, depressão e insatisfação. A nível organizacional provocam diminuição da produtividade, lentidão, absentismo, turnover, baixo moral, reduzida satisfação profissional. Promover a conciliação e reduzir a tensão entre esferas, torna-se assim não apenas uma forma de promover a igualdade entre homens e mulheres, mas também de promover a eficácia e eficiência organizacional, estimando-se os seus impactos em termos de melhoria dos níveis de satisfação, motivação e de produtividade.

Neste trabalho, explora-se a componente de género que determina conceções de conciliação centradas nas necessidades das mulheres ou mesmo secundarizadas pelas conceções de organização de trabalho e de “trabalhador ideal”. Apresentam-se os constrangimentos e os fatores facilitadores da conciliação, concebidos como recursos; bem como as principais linhas de análise da conciliação em termos de conflito, spilllover e balanço. Finalmente analisa-se e conclui-se pela integração, incipiente e pouco aprofundada, da questão da conciliação de esferas nos instrumentos de avaliação de riscos psicossociais, e o longo caminho ainda a percorrer neste domínio.

Capítulo 8 Lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho (LMERT) no contexto dos riscos psicossociais

Paula Carneiro e Pedro Arezes

As lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho (LMERT) têm sido consideradas como um dos principais problema de saúde ocupacional. Apesar das LMERT serem habitualmente consideradas como problemas de saúde originados por fatores físicos, sobretudo de natureza biomecânica, a verdade é que cada vez é mais claro e consensual que a sua origem assenta numa multiplicidade de factores de risco, entre os quais os de natureza psicossocial.

Este capítulo inicia-se por uma breve descrição do problema e da sua relevância no contexto ocupacional, fazendo-se também uma breve descrição dos principais fatores de risco que a literatura indica como relevantes. Num primeiro momento descrevem-se os principais factores de risco físico, sendo depois, em ponto separado, apresentados os principais fatores de risco de natureza psicossocial que têm sido identificados ao longo dos últimos anos.

Finaliza-se o capítulo com uma referência aos principais tipos de métodos de avaliação de risco de desenvolvimento de LMERT. Tendo em conta a diversidade de factores de risco, verifica-se igualmente uma grande diversidade de métodos de avaliação de risco, que se dividem habitualmente em diferente categorias, tendo em consideração a sua natureza e a metodologia empregue. Refere-se ainda que a maioria destes métodos se centra na avaliação dos principais fatores de risco físico, sendo que a escolha do método mais apropriado é algo pouco consensual, uma vez que depende sempre do compromisso entre as características dos métodos, em particular da precisão e da facilidade de utilização.

Capítulo 9 Burnout: da conceptualização à gestão em contexto laboral

Cristina Queirós, Sónia P. Gonçalvese António Marques

Nos últimos anos a European Agency for Safety and Health at Work tem repetidamente alertado para o stress no trabalho enquanto risco psicossocial. Em Janeiro de 2014 definiu nas suas prioridades para a segurança e saúde ocupacional 2013-2020, entre outros temas, o stress no trabalho, incluindo neste o burnout como resposta aos stressores crónicos. Existem diferentes conceptualizações e modelos teóricos que explicam o burnout como um estado final de um processo de lento esgotar dos recursos perante as exigências no trabalho, traduzido em exaustão física e emocional, atitudes cínicas e indiferentes para com os outros no trabalho e diminuição da autoeficácia e realização pelo trabalho. As causas são várias e relacionadas não só com características do trabalhador mas também com o tipo de tarefa e funcionamento da instituição. As consequências ultrapassam o trabalhador e a sua saúde individual, afetando a instituição e qualidade dos serviços prestados, sendo frequentes os problemas de saúde, absentismo, diminuição de produtividade e rotação entre serviços. Existem várias formas de avaliar o burnout, predominando os questionários de auto-relato, notando-se um crescente interesse na prevenção e tratamento do burnout, sobretudo a nível individual. Embora com poucos estudos que avaliem a sua eficácia, as intervenções que incluem informação sobre sintomas, partilha de dificuldades, relaxamento e estratégias de tipo cognitivo-comportamental parecem ser as mais promissoras para lidar com o burnout enquanto síndrome descrito em 1953 e que se pensa afetar até cerca de 29% dos trabalhadores. As atuais modificações no mundo do trabalho fazem do burnout um tema relevante.

 

Capítulo 10 Stresse profissional: Conceptualizações, causas, consequências, e medida

Manuel Rafael e Rosária Lima

É virtualmente impossível não nos depararmos com uma referência ao termo stresse em qualquer leitura no campo das ciências biológicas e sociais, bem como nos âmbitos da economia, ciência política e educação, referência que se estende à vida quotidiana e está presente em múltiplas mensagens relativas à forma como o stresse pode ser prevenido, gerido e mesmo eliminado.

O presente capítulo debruça-se sobre o tema do stresse profissional, começando por abordar aspetos históricos, relacionando-os com questões relativas à definição do conceito, definições que são muito diversas e também muito largamente imbuídas pelas conceptualizações teóricas sobre stresse profissional que lhes são subjacentes.

Apresentam-se algunsmodelos teóricos sobre o stresse profissional.De entre umagrande diversidade de conceptualizações teóricas sobre o stresse profissional destacam-se: a perspetiva de Lazarus, a teoria do ajustamento pessoa-ambiente, o modelo das exigências e do controlo, o modelo das exigências e dos recursos, e o modelo das vitaminas de Warr.

Seguidamente, abordam-se também causas e consequências do stresse profissional, denotando-se uma crescente preocupação sobre as consequências do stresse profissional, quer para os trabalhadores quer para as organizações, bem patente no crescente número de estudos sobre esta temática publicados na literatura médica e psicológica.

Finalmente, apresentam-se aspetos relativos à medida do stresse. Neste ponto, destacam-se alguns dados de investigação em amostras portuguesas e internacionais utilizando o Inventário sobre o Stresse Profissional.

 

Capítulo 11 Bullying no local de trabalho: Avaliação e intervenção

Manuel Salvador Gomes de Araújo

A consciência social relativamente aos fenómenos associados à promoção da dignidade no local de trabalho, têm surgido com crescente interesse nos campos de estudo mais académicos, assim como na intervenção mais aplicada. O bullying no local de trabalho é um exemplo claro do interesse sobre uma temática que durante muito tempo não existia ou era meramente residual nas escolhas investigativas ou intervenções profissionais. Felizmente que as últimas décadas criaram uma onda de trabalhos muito interessantes em várias zonas do globo, sobre a necessidade de prestar a devida atenção aos atos negativos perpetuados por sujeitos únicos ou em grupo para com outros também eles únicos ou em grupo, de uma forma repetida e continuada durante um certo período de tempo, com claras assimetrias de poder entre ofensores e vítimas. Importa pois, mapear o problema do ponto de vista conceptual (apresentando o constructo e diferenciando-os de outros próximos), caracterizar em termos epidemiológicos (com dados de prevalência e incidência), desenhar modelos explicativos da dinâmica do problema (causa, fatores moderadores e consequências), elaborar instrumentos de medida adequados e comparáveis do fenómeno, assim como modelos de intervenção em diferentes níveis da realidade social, seja ela uma intervenção mais primária (promotora), mais secundária (preventiva), mais terciária (remediativa) ou mais quaternária (reabilitativa). Portugal encontra-se ainda numa fase precoce da investigação e intervenção do bullying no local de trabalho, mas existem já trabalhos prometedores que têm suscitado uma cada vez maior atenção por parte da comunidade, seja ela proveniente dos centros de investigação seja ela oriunda dos profissionais que todos os dias no terreno sente o sue impacto. Que este capítulo possa suscitar ainda mais interesse por quem se preocupa em tornar as ocupações humanas sempre dignas.

Capítulo 12 Assédio sexual no trabalho: uma abordagem às relações sociais de género em contexto de trabalho

Cláudia Múrias, Maria José Magalhães, Tatiana Morais

Constituindo-se o assédio sexual como a forma mais prevalecentede vitimização sexual, é urgente demonstrarà sociedade que tais comportamentos não são toleráveis em contexto de trabalho, quetodas as pessoas têm o direito de desenvolver o seu trabalho livre de comportamentospersecutórios que acabam por ter repercussões na sua saúde física e mental, como também ao nível da rentabilidade laboral e da economia. No presente texto propomo-nos a contextualizar o assédio sexual no local de trabalho, revendo estatísticas, conceitos e definições jurídicas de assédio sexual no sentido da evolução das representações da sociedade, bem como abordando algumas consequências psicossociais, organizacionais e sociais e formas de prevenção e combate ao assédio sexual em contexto de trabalho.A ausência de consciência coletiva da natureza social da questão não ajuda a resolver a problemática, permanecendo o assédio sexual como fonte de discriminação de género no local de trabalho e um dos fatores de risco psicossocial que mais afeta a saúde de trabalhadoras e trabalhadores em todo o mundo. Nas condições atuais de precariedade laboral, a grande vulnerabilidade das vítimas de assédio sexual, em especial mulheres, leva-nos a concluir pela enorme importância de agir, possibilitando respostas psicossociais e jurídicas até agora inexistentes.

 

Capítulo 13 Assédio moral no trabalho: uma realidade contemporânea

Ana Teresa Verdasca

Este capítulo tem como propósito fundamental caracterizar o assédio moral enquanto fenómeno organizacional contemporâneo e mapear o seu domínio de incidência em termos europeus. De uma forma global, o conceito de assédio moral no local de trabalho refere-se a comportamentos hostis e agressivos de carácter persistente (e.g. semanalmente) e duradouro no tempo (e.g. seis meses), relacionados com o trabalho desempenhado (e.g. vedar o acesso a informação pertinente para a realização de determinadas tarefas) e/ ou com as características individuais (e.g. isolamento social, espalhar rumores ou difamação) e têm como efeito assediar, humilhar, ofender ou excluir socialmente o alvo dos mesmos, afetando negativamente o seu desempenho profissional e/ou criando um ambiente de trabalho hostil (Leymann, 1996; Einarsen, 2000; Hoel, Zapf & Cooper, 2002). Dadas as consequências negativas associadas à sua ocorrência, não só em termos individuais como organizacionais ou socioeconómicos, foi classificado pelo Observatório Europeu de Riscos como um risco psicossocial relacionado com a segurança e saúde no trabalho e diversos autores têm vindo a questionar sobre as medidas de intervenção mais adequadas no sentido da sua prevenção e gestão efetiva (Brun & Milczarek, 2007). De acordo com os especialistas nesta matéria, os programas de intervenção são mais eficazes e reforçam-se mutuamente quando incluem estratégias a diversos níveis: primário, secundário e terciário e orientados para a organização, para o trabalho desempenhado e para o individuo (La Montagne et al., 2007; Vartia & Leka, 2011). Pode ainda ser distinguido um nível adicional de prevenção/intervenção, relacionado com a definição de políticas nacionais e internacionais, delineadas para desencadear a mudança através do seu impacto a nível macroeconómico (Leka et al., 2008ª).

 

Capítulo 14 Prevenção e a intervenção no consumo de substâncias psicoativas em meio laboral

Carlos Ramos Cleto e Mário Ferreira de Castro

A prevenção e a intervenção no consumo de substâncias psicoativas em meio laboral devem ser encaradas como um investimento das organizações e não um custo, face às vantagens em termos profissionais, pessoais e familiares dos trabalhadores e empregadores, com potencial reflexo a nível da produtividade e da qualidade de vida no trabalho.

O trabalho como atividade humana, comporta riscos, alguns relacionados diretamente com as tarefas desempenhadas, outros inerentes a comportamentos e estilos de vida que se repercutem no nosso desempenho laboral.

O problema de saúde de um trabalhador e particularmente os relacionados com comportamentos aditivos, pode ser e é-o muitas vezes um problema da empresa. E a sua resolução ou correta gestão só traz benefícios para o próprio, para os colegas e para a entidade empregadora.

A partir de vários documentos publicados sobre a matéria em apreço, procede-se a uma reflexão síntese e elaboram-se recomendações de índole mais prática visando a prevenção do consumo de substâncias psicoativas em contexto laboral.

 

Capítulo 15 Metodologias agregadas de avaliação de riscos psicossociais: o caso do FPSICO e do QARPIS

Hernâni Veloso Neto

O texto tem como principal intuito a sistematização de metodologias agregadas para se realizar a avaliação de riscos psicossociais. Por agregadas entenda-se metodologias que permitem uma análise simultânea de vários fatores psicossociais de risco. Existe uma multiplicidade de estratégias e instrumentos para se avaliar fatores de risco específicos, tais como o stresse, o assédio moral, o burnout, entre outros, mas o foco estará em metodologias que permitam avaliar várias dimensões ao mesmo tempo. Naturalmente que se perde especificidade, mas ganha-se amplitude analítica e técnica para se intervir, até porque os períodos de avaliação e intervenção tendem a ser limitados. Realiza-seum mapeamento generalista de metodologias a este nível, sendo que depois analisa-se a realidade espanhola com mais destaque, porque é um dos contextos nacionais académicos e técnicos mais profícuos no desenvolvimento e validação de metodologias integradas de avaliação de fatores psicossociais de risco. Termina-se o documento partilhando duas metodologias como casos de estudo: o Método de Avaliação de Fatores Psicossociais (FPSICO) desenvolvido pelo Instituto Nacional de Segurança e Higiene no Trabalho de Espanha e o Questionário de Avaliação de Riscos Psicossociais e Identificação de Situações de Risco (QARPIS) do Instituto Navarro de Saúde Laboral.

 

Capítulo 16 Avaliação dos fatores psicossociais de risco: contributos do Inquérito INSAT

Carla Barros-Duarte e Liliana Cunha

Dar visibilidade à evolução das formas de organização do trabalho e aos fatores de risco que delas decorrem constitui uma das preocupações centrais dos instrumentos concebidos com o propósito de sustentar a avaliação das relações entre o trabalho e a saúde.

O Inquérito Saúde e Trabalho (INSAT) foi precisamente concebido com o intuito de “compreender de que forma os trabalhadores avaliam as características e as condições do seu trabalho, o seu estado de saúde, e que tipo de relações estabelecem entre a sua saúde e o seu trabalho” (Barros-Duarte, Cunha, Lacomblez, 2007, p.59). A abordagem prosseguida insurge-se contra uma visão compartimentada da avaliação de riscos, assumindo necessariamente uma orientação global, multidimensional e integradora.

É nesta perspetiva que o INSAT2013 procura ultrapassar as tradicionais práticas de avaliação de riscos e do seu impacto na saúde e no bem-estar, reforçando uma abordagem mais centrada no vivido subjetivo pelo trabalhador e, portanto, mais tradutora de uma postura que considera que a avaliação de riscos integra os fatores psicossociais de risco, mas também todos aqueles que intervêm na atividade humana de trabalho, e que podem fragilizar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.

As possibilidades de ação que se abrem com o uso do INSAT traduzem uma dupla valência – da avaliação e da intervenção no trabalho – assumindo que o espaço de debate criado por este instrumento seja alargado ao espaço-empresa, tendo em vista a melhoria das condições em que esse trabalho é realizado.

 

Capítulo 17 Versão Portuguesa do Copenhagen Psychosocial Questionnaire – COPSOQ II

Carlos F. Silva, Pedro Bem-Haja, Vânia Amaral (et al.)

O Copenhagen Psychossocial Questionnaire (COPSOQ II) reúne consenso para a avaliação dos riscos psicossociais no trabalho. Este capítulo apresenta a versão média portuguesa e as características psicométricas com uma amostra de 4162 portugueses de vários setores profissionais, no âmbito do projeto “Medição do Índice de Capacidade Humana para o Trabalho em Trabalhadores Portugueses” (PTDC/SAU-ESA/66163/2006), programa COMPETE. Esta versão tem 76 itens em 29 subescalas, organizadas em 17 fatores que explicam 62.19% da variância. A validade de critério foi parcialmente avaliada correlacionando a perceção do estado geral de saúde (COPSOQ), com a dimensão saúde do Índice de Capacidade para o Trabalho (número de doenças). Relativamente à fidelidade, encontrámos valores satisfatórios de alfa de Cronbach, variando entre .60 e .90. A Versão Portuguesa do COPSOQ II possui assim propriedades psicométricas adequadas, tornando-a um instrumento válido na avaliação de riscos psicossociais na e intervenção em saúde ocupacional. Os resultados de aferição constam no Booklet. Tendo em conta os resultados de aferição (organizados por diversos aspetos), as pontuações são divididas em tercis, tal como é utilizado por outros autores estrangeiros, pela facilidade de interpretação e comunicação com os profissionais e empresas. Estes tercis são interpretados em função do impacto para a saúde que a exposição a determinada dimensão representa, e num modelo tricolor.

 

Capítulo 18 Avaliação de riscos psicossociais com o método SSARA

Hernâni Veloso Neto, Fábio Marques, Manuel Freitas e Georgina Cunha

A crescente visibilidade dos riscos psicossociais também tem contribuído para que os profissionais de segurança e saúde do trabalho tomem consciência da importância de se avaliar a incidência destes fatores nos contextos ocupacionais. Essa consciencialização progressiva esbarrou na falta de conhecimento, primeiramente, sobre que metodologias poderiam ser utilizadas na avaliação destes tipos de riscos e, posteriormente, como integrar os resultados obtidos nessas avaliações na matriz global de avaliação de riscos das organizações. Como existe uma panóplia significativa de estratégias e instrumentos para se realizar a identificação e estimação de fatores de risco psicossocial, considerou-se ser agora pertinente refletir sobre como podem ser valorados, na mesma linha do que já se efetua com os riscos físicos, químicos e biológicos, e integrados na matriz de riscos elaborada para uma área funcional e/ou organização.

Para se realizar este exercício demonstrativo será utilizado um estudo de caso de identificação de fatores de riscos psicossociais efetuado num Departamento de Polícia Municipal da área metropolitana do Porto. A sinalização foi efetuada com base na aplicação, às/aos profissionais do departamento, da versão validada para Portugal do Questionário Psicossocial de Copenhaga. A valoração dos riscos e hierarquização das prioridades deintervenção foi realizada com base no Sistema Simplificado de Avaliação de Riscos de Acidentes (Método SSARA) do Instituto Nacional de Segurança e Higiene do Trabalho de Espanha. Não serão analisados todos os fatores de risco diagnosticados com o questionário, dado o volume de elementos apurados, apenas foram considerados três tipos de risco.

 

Capítulo 19 Metodologia de avaliação de riscos psicossociais da Sociedade de Prevenção FREMAP

José María Luengo Montes

O Mger 2.0, é a metodología de avaliação utilizada pela Sociedade de Prevenção de Fremap, para identificar e avaliar os riscos laborais, o método de avaliação consiste na aplicação de checklist, específicas para cada atividade ou setor, avalia e identifica os riscos de Segurança no trabalho, higiene industrial, ergonomía e psicosociología aplicada.

Como parte importante desta metodología de avaliação MGER 2.0, encontra-se a condição de Fatores Psicossociais, essa condição está baseada na metodología de avaliação publicada pelo Instituto Nacional de Segurança e Higiene no Trabalho (INSHT), através do “Manual da avaliação e prevenção dos riscos ergonómicos e psicossociais nas PMEs”.

O técnico de prevenção vai identificar os riscos psicossociais através de uma checklist que vai tratar de identificar os riscos (stress no trabalho, fadiga mental, violência no trabalho e fadiga pela ordenação do tempo de trabalho)através da identificação de diferentes indicadores de risco, esta identificação realiza-se através da comprovação de 11 ítems chave, que se desdobram em outros quando o Técnico de Prevenção de Riscos Laborais, deteta a possível presença de “stressores” ou indicadores de risco de origem psicossocial.

Uma vez identificados os riscos psicossociais, o técnico de prevenção vai tratar de eliminar ou pelo menos mitigar os mesmos mediante a proposta de medidas de prevenção como são: medidas organizacional, formativas, e informativas, procedimentos de atuação e prevenção de conflitualidade na empresa, entre outros.

 

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Rede de Investigação sobre Condições de Trabalho

Posted on May 8, 2014, in Fórum RICOT. Bookmark the permalink. 1 Comment.

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